quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Amanhecer

Ele encosta de mansinho o peito nu nas minhas costas - também nuas -, passa a mão por debaixo do meu braço e me deseja um bom dia arrastado, preguiçoso, como um prelúdio do dia que estava por vir. Afasta meu cabelo, beija a minha nuca, os ossinhos das minhas costas e sorri. Eu quase posso ver os músculos dele se movendo num sorriso. Eu me viro por debaixo dele e dou de cara com aquele sorriso mais bonito, tão preguiçoso como o bom dia que ele acabara de me dar. Ainda é pele com pele, olho com olho, boca com boca. O hálito dele é fresco e tem cheiro de hortelã. Aposto que acordou mais cedo pra escovar os dentes e lavar o rosto antes de vir me beijar. É injusto, não tenho como competir. Ele me conta que fez o café e me chama pra tomá-lo. Não quero, prefiro beijar sua boca, eu respondo. Ele ri e me beija de novo, me aperta contra seu peito e insiste. Então eu cedo. Mas, por mim, a gente ficava assim pra sempre. Agarradinhos, preguiçosos, sonolentos e muito apaixonados. Por mim, eu acordaria todo dia dentro do abraço dele, tranquila, satisfeita e amada.

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