segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Slow motion

Não sei explicar o que eu senti quando ele entrou por aquela porta. Era uma mistura de felicidade, medo, alívio, desespero, fome, desejo, amor. O cara por quem eu sou louca, depois de seis meses distante, está de volta pra casa. Deus!

De início, não acreditei. Fiquei parada olhando pra porta enquanto a maçaneta girava. Ele chegou sem dar notícia e, se uma parte de mim ansiava desesperadamente pra que fosse ele (e só poderia ser – além de mim, ele é o único que tem a chave do meu apartamento) a entrar por aquela porta, a outra duvidava. Ainda consigo ver meu rosto enquanto eu aguardava.

Meu coração batia a mil. O copo com água que estava na minha mão caiu no chão quando ele entrou e eu corri pra ele como se ele fosse tudo por que eu sempre esperei na vida. Deixei escapar um “amor” quando o vi, sofrido, lânguido, carente, esperançoso. Foi a primeira vez que o chamei assim.

E ele me agarrou, e me abraçou, e me beijou, e pediu pra me ver o rosto e me beijar. E eu chorei. De felicidade, de alegria, de amor, de saudade. Não sei por que eu chorei, na verdade. Mas foi algo que eu não conseguia controlar. Eu não queria, mas a emoção era forte demais, estava além das minhas forças. Nunca senti nada igual em toda a minha vida. Meu homem estava de volta.

Ficamos abraçados durante um tempo, como se quiséssemos que nossos corpos se fundissem, como se quiséssemos devorar um ao outro. Era forte demais. Eu tremia. Mesmo estar tão juntos, colados um ao outro, não era suficiente para abrandar a saudade. Ao contrário, quanto mais próximos estávamos, quanto mais nos abraçávamos, mais apertava, mais doía. Saudade é uma espécie de dor. Física, mental. Parece que quebra nosso corpo.

Quando finalmente conseguimos nos acalmar, e já havia se passado quase meia hora desde que ele entrou por aquela porta, seis meses desde a última vez, fomos pra cozinha e eu lhe preparei o que deu, qualquer coisa que passasse a fome. A comida não era importante naquele momento.

Eram duas e dezessete da manhã. Ficamos conversando até às seis e quinze. E ele me contou como foram esses seis meses na Europa. O curso, os novos amigos, a nova profissão. As expectativas, as emoções, a saudade.

Quando demos conta do sol entrando pela janela, resolvemos dar um mergulho no mar, nossa atividade predileta, que ocupava a manhã de todos os nossos sábados. O mar sempre foi algo especial pra nós dois. Embora sejamos parecidos demais, foi nosso amor por ele que fez nascer o amor que temos um pelo outro.

Eu estava tão anestesiada pela felicidade, que nem esperei por ele e me joguei direto no mar. A vida é bela demais, Deus! E como o Senhor é bom!

Depois de me banhar nas águas claras e cristalinas do mar da Pajuçara, fui em direção a ele, que me esperava em pé nas areias, pra ele me secar, como sempre fazia. Ele sentou-se numa cadeira de praia e pegou a toalha em minha bolsa. Enquanto a deslizava pelo meu corpo, mordeu o meu bumbum e me levou nos braços de volta ao mar. Disse que iria me devorar, mas, antes, precisava se banhar naquele mar que tanto nos abençoou.

Voltamos pra casa. E eu conseguia sentir cada célula do meu corpo respirando, tudo pulsava. E se achei forte o que senti quando ele entrou por aquela porta, mais intenso foi o que senti enquanto ele me despia. Parecia que o mundo corria em slow motion. Tudo em câmera lenta. As mãos, a respiração, os corpos encontrando um ao outro.

Dizem que a melhor transa é aquela que acontece depois de muito tempo separados. Comprovamos na prática. Ainda consigo sentir a boca dele passeando pelo meu corpo, meu coração parecendo que iria explodir. A voz dele sussurrando delícias em meu ouvido, meu corpo se contorcendo de prazer. O êxtase, a emoção, o delírio.

Que dia, Deus! Que homem! Obrigada por trazê-lo pra minha vida.