quarta-feira, 30 de setembro de 2009

C'est la vie

Quando eles terminaram, ela achou que levaria muito tempo pra se acostumar, que iria sentir a falta dele a todo momento. Mas o filme que ela queria tanto ver finalmente estreou. E a banda preferida dela veio tocar na cidade. E, em seu aniversário, ela ganhou muitos livros e quase não teve tempo pra lê-los, pois trabalhava e estudava de segunda à sexta e, aos sábados, se reunia com as amigas. Ela não teve tempo pra sofrer.

Quando eles terminaram, ele achou que estava finalmente livre, que agora, sim, iria aproveitar a vida. Mas o filme que ela queria tanto ver finalmente estreou. E a banda preferida dela veio tocar na cidade. E quando ele tentou falar com ela, não conseguiu, porque era aniversário dela e o som estava muito alto. Ele não teve tempo pra esquecer.

Um ano depois, eles se esbarram num bar. E ela, então, percebe que, afinal, foi fácil se acostumar, não levou tanto tempo assim. E ele verifica que o sorriso dela continua lindo e que aproveitou melhor a vida quando estava com ela.

De repente, a música deles começa a tocar e ele se aproxima para convidá-la pra dançar. Mas não deu tempo, o novo namorado dela chegou primeiro.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Bobagens bonitas

Eu tenho ciúmes de você, amor. Eu tenho medo de perdê-lo. Eu vejo você - tão carismático, tão atencioso, tão divertido e, não bastasse, inteligente e bonito - sempre acompanhado por muitas pessoas, que lhe admiram e lhe seguem. E, para uma mulher, é fácil se apaixonar por um cara assim.

Todo mundo diz que o problema dos homens bonitos, inteligentes, gentis e divertidos é que eles nunca estão solteiros. Mas ninguém se dá conta da dificuldade maior que é ser a mulher desses homens. Viver com você é como viver num reality show. Tem sempre alguém nos observando, anotando nossos passos, nos contando por aí.

Certa vez, estávamos com uns poucos conhecidos e você se retirou por uns instantes para atender ao telefone. Nisso, uma desavisada, que não tomara conhecimento sobre nós, confessou-me que não havia como não se apaixonar por você e enumerou-me todas as suas qualidades. Ouvi tudo pacientemente e com um sorriso amarelo no rosto. Eu não tinha o direito de constrangê-la: também me apaixonei por você.

O que me aflige é a ameaça constante que esse seu riso largo me oferece. Porque ele será sempre pólen em flor grande e vistosa, objeto maior da cobiça e disputa de todos os pássaros. Mas não pare nunca de sorrir, amor.

Racionalmente, sei que tudo isso é uma grande bobagem e que não devo ter medo, pois foi a mim que você escolheu e é comigo que você está. Mas o amor é infiel e irracional. Ele lhe escolhe num segundo e, no seguinte, troca-lhe por o que parecer a ele mais belo - e o belo pode ser a inteligência, a beleza em si mesma ou qualquer pequeno detalhe do outro - nunca se ama alguém por inteiro.

(Você, amor, tem a beleza da inteligência, e da sensibilidade, e de todas as pequenas coisas que fazem um dia nublado mais feliz.)

Amar deveria ser fácil.

Entretanto, não obstante todas as dificuldades, espero que você continue sempre você e com esse riso largo estampado no rosto. Porque esse é o homem por quem eu me apaixonei. 


E que a minha beleza, seja ela qual for, lhe seja sempre a mais bela e preferida. E que o seu amor seja sempre meu.

Eu te amo.